Thursday, 14 June 2012
Três anos de Canadá
Sunday, 1 January 2012
Salgadinhos, o prato típico do brasileiro
Ingredientes:
- 1 litro de leite
- 1,5 kg de farinha de trigo branca
- 2 tabletes de caldo de legumes (também pode ser de frango ou de carne)
- 1 cebola pequena cortada em pedaços bem grandes (opcional)
- 2 xícaras de salsinha ou cheiro verde cortados grosseiramente (opcional)
- 3/4 xícara de manteiga
- 1 colher de chá de sal
- pimenta do reino a gosto
Para empanar:
- 4 ovos
- 1/3 xícara de leite
- farinha de rosca
Preparo:
Dessa vez eu fiz coxinhas e bolinhas de queijo. Nos dois casos eu sigo o mesmo protocolo para rechear, pego uma quantidade de massa e faço uma bolinha (isso é para garantir que eu terei uma quantidade parecida de massa em todos os salgadinhos). Com os polegares eu vou achatando a bolinha para formar um disco, coloco o recheio no meio e fecho o disco formando uma bolsinha. Por fim eu ajeito o formato dependendo se for bolinha ou coxinha. O tamanho dos salgadinhos vai a seu gosto. Essa receita rendeu 120 bolinhas de queijo e 100 coxinhas de frango. A medida que for fazendo os salgadinhos, molhe eles no ovo e empane na farinha de rosca. Eu costumo deixar acumular uns 30 no recipiente do ovo, e só daí empano de um por um na farinha de rosca e vou arrumando eles numa fôrma grande. Uma coisa que sempre faço é fritar logo os primeiros para saber se tenho que ajustar o sal. Depois de prontos você pode fritá-los em óleo quente até dourar, ou congelar para uma outra ocasião.
É isso. O mistério dos salgadinhos foi revelado. Quem fizer me mande fotos porque eu quero ver o resultado. Esse blog virou blog de culinária por um dia, mas fazer salgadinhos é uma parte importante da nossa vida de imigrante...
Saturday, 24 September 2011
Cabelo, cabeleira, cabeluda...
Se você está preocupado(a) em como cuidar de suas preciosas madeixas em terras congeladas, confesso que os serviços de cabeleireiro aqui não são muito baratos. Mas não se preocupe, dificilmente você vai ficar deprimido(a) devido a um corte de cabelo mal feito. A maioria dos profissionais daqui estudou bastante para se tornarem cabeleireiros, e fazem isso por amor.
Da primeira vez que cortei o cabelo aqui em Montreal eu recorri ao "Cabeleireiro Amigo", um conhecido brasileiro que fez um precinho camarada e sabia exatamente o que eu queria. Mas depois (quando não consegui contactar o cabeleireiro amigo) resolvi dar uma chance aos profissionais daqui. Fui num salão bastante famoso no boulevard St. Laurent chamado Coupe Bizarre. Quando entrei no local pela primeira vez me assustei com as pessoas que trabalham lá. Achei todos os cabelos muito modernos para o meu gosto, mas resolvi dar uma chance e ver o que eles iriam me sugerir. Para minha surpresa o corte ficou maravilhoso. Custou caro, sim, mas eles souberam adaptar o corte ao meu tipo de cabelo e formato do rosto (para quem está curioso sobre o quanto custou - $42 sem a gorjeta, porque eu tenho desconto de estudante).
Desde então, já cortei o cabelo lá várias vezes e com várias pessoas diferentes. Não me arrependi nenhuma das vezes. Sempre saí satisfeita, com o cabelo cortado, lavado e escovado (ou enrolado). Da última vez cortei o cabelo com a Anne, uma quebecoise magrelinha, com o cabelo moicano, e que, segundo ela, só sabe cozinhar salada. Recomendo demais e com certeza voltarei.
Para quem pinta o cabelo realmente não sei o quanto custa, mas se eu pintasse o meu cabelo que precisasse de um trabalho mais profissional, com certeza eu faria lá.
Friday, 9 September 2011
Communauto
Taí um negócio que NUNCA daria certo no Brasil. Recentemente fizemos um plano com esse sistema de compartilhamento de carros.
Como funciona?
Trata-se de uma ótima opção para quem não quer ter carro, mas que eventualmente precisa de um para fazer pequenas coisas, como ir no Costco (para comprar muita coisa) ou na Ikea, por exemplo.
Para ter acesso ao sistema é preciso fazer um plano anual, que varia de valor dependendo do quanto você acha que vai usar os carros. Existem três tipos, A, B ou C, e cada um desses planos atrela valores diferentes ao aluguel.
Existem várias estações espalhadas pela cidade, com carros disponíveis para aluguel. Se você precisa de um, você pode, por telefone, ou pela internet, ver a disponibilidade de carros nas estações próximas à sua casa, ou nas suas estações preferidas, e reservar para o período que você pretende usar. A tarifa é cobrada por hora (ou por dia, dependendo da sua necessidade) e por quilômetro. Eles possuem também tarifas para longas distâncias para quem quer fazer viagem mais longas (Tabela com preços).
Quando você faz o plano do Communauto eles te mandam uma chave mestre que abre as caixinhas pretas. Na hora de pegar o carro, você vai até a estação em questão e procura pela caixinha preta. Dentro dela estão as chaves de todos os veículos communauto na estação, com chaveiros contendo os números de identificação de cada carro.
Em cada carro existe um bloquinho em que a gente escreve o número do veículo, a quilometragem que o carro estava quando você saiu e a quilometragem de quando você voltou.
Pronto. Só isso. Não precisa falar com ninguém, nem colocar gasolina. Se precisar colocar gasolina, é só pegar a nota fiscal que eles descontam do valor final do aluguel. Todo mês a gente recebe uma fatura com o total usado no mês.
A gente está viciado nesse sistema, e o que mais me impressiona é que só funciona por causa da confiança. Recomendo muito mesmo! E para os empreendedores do Brasil, se quiserem tentar levar a idéia para aí, boa sorte!
Sunday, 28 August 2011
Você percebe que se adaptou quando...
2. As pessoas te param pedindo informação em Francês e em Inglês no mesmo dia e você não tem problema com isso.
3. Você ficou triste com a morte do Jack Layton.
4. Você vai para Oka beach e fica feliz de estar na "praia" mesmo não tendo água-de-coco.
5. Uma festinha com amigos reúne pelo menos 5 nacionalidades diferentes e ninguém é gringo.
6. Os pedintes de perto da sua casa te conhecem e trocam brincadeiras com você sempre que te vêem.
7. Bicicleta é um meio de transporte levado a sério.
8. Você não liga de sair desarrumado na rua.
9. Toda a sua maquiagem é da MAC (para as meninas).
10. Picnic e churrasco no verão são suas atividades preferidas.
Sunday, 12 June 2011
Era uma vez 3 verões...
Hoje estamos comemorando exatamente 2 anos de Canadá. :D
Mas esse post é pra falar mesmo sobre o verão montrealense. Todos que pensam em vir visitar a gente sempre falam que querem vir no inverno, mas a gente sempre insiste para vir no verão por uma razão muito simples: O verão daqui é inesquecível! Sim, o calor é infernal como você jamais pensou poder existir, mas o verão de Montreal é super divertido. Não estamos oficialmente no verão ainda, mas basta o primeiro raio de sol num dia de primavera de 38 graus para se declarar a chegada do verão.
Quando chegamos aqui há dois anos atrás não deu para sentir o impacto dessa estação na vida dos canadenses. Tínhamos acabado de chegar e estávamos preocupados demais resolvendo os pepinos dos primeiros meses como imigrantes.
No nosso segundo verão já pudemos aproveitar melhor tudo o que a cidade tinha para oferecer, e foi muito muito bom. Fizemos memórias para o resto das nossas vidas, andamos de bicicleta, fomos no mercado Atwater, festival de jazz, Francofolie, Old Port, aproveitamos bastante tudo o que podíamos dessa cidade maravilhosa (me desculpe o Rio por pegar emprestado o adjetivo).
Hoje foi o grande premio de Montreal e estávamos lembrando da mesma época no ano passado, quando fomos para a ilha onde a corrida acontece e voltamos de bicicleta pelo canal Lachine com a prima Patrícia. Foi um dia maravilhoso. Hoje infelizmente choveu como eu nunca tinha visto chover por aqui, mas a lembrança do ano anterior ficou.
Agora o terceiro verão se aproxima e finalmente alguns familiares virão nos visitar! Temos tantos planos e tão pouco tempo... Essa época em que a cidade exala felicidade eu fico com muito mais saudades de todos que estão no Brasil. Queria poder viver isso com todos e fazer memórias que vão me acompanhar sempre.
E para terminar abruptamente esse post que não falou muito sobre nada, queria desejar feliz dia dos namorados para os que ainda comemoram hoje!
Thursday, 19 May 2011
Conversa de metrô...
Voltando do laboratório hoje de tarde, eis que sento do lado de uma menino, no auge dos seus 4 anos de idade, numa conversa muito séria com sua mãe:
Menino: "Mãe, hoje eu me dei conta que eu sou muito sortudo."
Mãe: "Eu sei que você é sortudo meu filho, mas o que fez você descobrir isso?"
Menino: "A professora falou que em alguns países subdesenvolvidos - imagine uma criança de 4 anos tentando falar isso para ter noção da fofura - existem crianças da minha idade que não podem ir a escola brincar com outras crianças. Muitas delas têm que trabalhar em fábricas, fazendas ou pedir esmola para poder ter comida em casa..."
Mãe: "É verdade, filho."
Menino: "Mãe, a gente tem dinheiro e por isso eu vou a escola todo dia, certo?"
Mãe: "Sim, eu e o seu pai trabalhamos bastante para que você e seu irmão tenham tudo o que uma criança precisa..."
Menino: "Então, eu tenho um plano! Um plano muito bom. Deixa eu te falar... A gente pode ajudar essas crianças. Muita coisa que a gente compra a gente não precisa!! Eu não preciso de xampu! Sabonete é o suficiente. A gente pode trazer pelo menos umas duas crianças para morar naquele quarto do computador do papai, e elas vão poder estudar. A gente dá comida pra elas. Todo dia sobra comida na janta, sabia??"
Hauhauhuahuah!! Eu tive que sair do metrô nessa hora, mas a única parte dessa conversa em que dá para identificar que é uma criança de 4 anos falando é quando ele fala que não precisa de xampu para viver. Fico me perguntando se a mãe dele resolveu seguir o plano dele... Tomara que sim!
Saturday, 26 February 2011
1 ano e 9 meses de Canadá
Já tem 3 meses que o Márcio falou que ia escrever as impressões dele depois de 1 ano e meio de Canadá. Como isso não aconteceu eu resolvi roubar o tema dele e escrever eu mesma o post.
Depois de 1 ano e 9 meses de Canadá eu sinto como se sempre tivesse vivido aqui. A cidade já me é familiar de tal forma que já me acostumei com a paisagem que antes me tirava o fôlego quando saía na rua. Claro que de vez em quando ainda paro um pouco para admirar um determinado momento, mas a rotina e a correria já tomaram conta dos nossos dias.
Ao mesmo tempo, parece que foi ontem que vimos nossos amigos e familiares pela última vez. Sempre que alguma coisa engraçada acontece, a gente comenta o que algum deles iria achar, sempre rimos das histórias clássicas que já aconteceram com a gente, continuamos vivendo como se todos estivessem sempre ao nosso redor. Outro dia tivemos uma crise de riso porque eu queria "cortar o cano" aqui (piada baseada numa história clássica da minha mãe), já querendo empacotar tudo para a mudança que só iria acontecer em 2 semanas no mínimo... A distância é muito boa para que a gente descubra quem são os amigos verdadeiros que a gente tem na vida! Temos muita sorte de ter amigos que mesmo com a distância continuam presente no nosso dia a dia. Mas nós também fizemos bons amigos e já temos algumas histórias para rir com os que estão por aqui também, principalmente depois da nossa mudança.
Acho que passamos a ter uma vida mais saudável desde que chegamos. Ir andando para todo lugar ajuda bastante! Além disso, os vegetais e verduras são tão lindos que dá gosto de fazer e de comer uma salada. Ainda não estamos no ponto ideal porque os queijos e pizzas e pães não ajudam, mas com certeza estamos nos exercitando muito mais. A cidade segura e o transporte público funcionando ajudam bastante nesse aspecto. Não ter que se estressar com o trânsito todo dia é realmente uma benção. É claro que todo mês eu me estresso bastante com a linha laranja do metrô, mas nem se compara com a tensão dos motoristas daqui.
O que eu ainda não consegui me acostumar foi com o eterno problema de Quebéc com a influência da língua inglesa, especialmente em Montreal. Parece que o maior problema social daqui é o fato de que o Inglês está "matando" o Francês. A razão pela qual eu quase não falo Francês por aqui é justamente porque os francófonos não têm paciência de tentar entender uma pessoa que não fala bem a língua e imediatamente mudam a conversa para o Inglês. A gente saiu do Brasil com toda a boa vontade de falar Francês e quando a gente chegou aqui parece que essa atitude do governo e das pessoas fez com que a gente acabasse perdendo completamente o interesse. Eu entendo até bem quando alguém fala comigo, mas quase nunca preciso falar outra língua que não o bom e velho Inglês. "C'est domage!"
Quanto às pessoas acho que a cidade é realmente muito multicultural. No ônibus que eu pego todo dia de manhã eu ouço pessoas falando Chinês, Tailandês, Espanhol, Árabe, Francês e Inglês. Impressionante como tem imigrante por aqui! Sabe a sensação que você tem quando vê um estrangeiro no Brasil? Aqui você tem essa sensação quando ouve alguém falando Português em algum lugar. Imediatamente você consegue identificar a pessoa não importa onde esteja. Inconscientemente sua atenção se volta para a conversa ou situação. Não é por maldade, é simplesmente a reação natural que a gente tem de procurar algo familiar quando tudo é estranho, ou, no caso do Brasil, de procurar algo estranho quando tudo é familiar.
Enfim, acho que não tenho mais o que dizer sobre esse 1 ano e 9 meses (ou não estou lembrando tudo o que eu queria escrever). Em resumo, estamos com saudades da parte boa do Brasil e aproveitando a parte boa do que há por aqui. O Márcio pode editar o que eu escrevi e adicionar a opinião dele por aqui depois.
Friday, 28 January 2011
Procura de apartamento
Bem, a procura de apartamento é uma das tarefas que todos temos que passar assim que chegamos por aqui. Depois de quase dois anos num estúdio nós finalmente iremos para um lugar com paredes! Isso me lembrou que um assunto útil para quem está chegando é como encontrar o apartamento perfeito para você em Montreal. Realmente não é fácil se acostumar com os termos usados por aqui nos anúncios de aluguel. O que seria um bachelor, um 3 e 1/2, balcony, etc. Então resolvi fazer um guia rápido de procura de apartamento em Montreal.
1. A primeira coisa que você deve fazer é definir o seu perímetro (em que bairro, ou região você prefere morar) e o seu orçamento (quanto você quer gastar). Dessa forma você já filtra a maior parte dos anúncios que não te interessam. Aqui você tem que ponderar o que é melhor pra você. Aluguéis no centro são bem mais caros do que em bairros mais distantes. O mesmo preço que se paga por um 3 e 1/2 no centro daria para alugar um 5 e 1/2 em CDN ou NDG.
2. Começar as procuras pelos sites de anúncios gratuitos. O Craigslist e o Kijiji são os melhores, na minha opinião. Os jornais também são boas fontes, mas eles não têm muitas informações sobre os apartamentos, e você acaba perdendo mais tempo telefonando para o anunciante. Fique atento aos anúncios "HUGE stúdio", "in the heart of downtown", "RENOVATED 3 e 1/2", etc. Preste atenção na descrição e não só nos títutlos. Já vi um anúncio que dizia ser "In the heart of downtown" e que era em algum lugar depois da estação Côte Vertu.
3. O que significam os números? O 1/2 depois do número é o banheiro, que geralmente é único na casa. O número inteiro que antecede é o número de vãos na casa sem contar o banheiro. Um 3 e 1/2 por exemplo significa: 1 sala + 1 cozinha + 1 quarto + 1 banheiro. Mas não se deixe enganar, nem sempre um 4 e 1/2 tem um quarto a mais. Às vezes eles consideram uma sala dupla como dois vãos, quando deveria ser só um.
4. Atenção para o que está incluso no aluguel. Isso faz toda a diferença. Geralmente o aluguel já inclui energia e água quente, mas nem sempre. A conta de energia pode ser uma grande surpresa no inverno. Leve isso em consideração ao comparar os preços de um apartamento em que tudo está incluido no preço e um outro em que você tem que pagar separado.
5. Quais eletrodomésticos estão inclusos no aluguel? Geralmente o apartamento vem com geladeira e fogão. Mas às vezes não vem com nada e você você vai ter que gastar um bom dinheiro logo no começo. Às vezes o apartamento vem com outros eletrodomésticos, como máquina de lavar louça, máquina de lavar e de secar roupa. Sua vida pode ficar muito mais fácil se você consegue um apartamento com os 5.
6. Se o apartamento não tem máquina de lavar e de secar roupa, procure saber se existe uma lavanderia no prédio. Acredite, levar a roupa suja para lavar numa lavanderia durante o inverno não é tarefa fácil.
7. Esteja preparado para ter que tirar a neve da escada se o apartamento que você alugou for de um condo. Condo é aquele prédio clássico de 3 andares, com revestimento de pedra ou tijolinhos vermelho/marrom, muito comum aqui em Montreal. Se o apartamento estiver num condo, pergunte ao landlord de quem é a responsabilidade de tirar a neve. Às vezes o landlord tira a neve da escada e da calçada, mas acontece de isso ser responsabilidade de quem aluga. Se for, prepare-se para acordar mais cedo no inverno.
8. Quando for olhar um apartamento, lembre de perguntar se é você quem regula o aquecimento. Já vi vários casos em que o landlord regula o aquecimento do prédio todo. E às vezes fica muito frio ou muito quente para os moradores.
9. Em dicas gerais do que fazer quando for olhar um apartamento, olhe todos os armários, abra a geladeira, cheque tudo direitinho. Procure por infiltrações nas paredes, principalmente se você estiver no último andar de um condo. Veja se o banheiro tem exaustor - os banheiros não costumam ter janelas aqui. Não esqueça de que é normal negociar o valor do aluguel quando você está sublocando ou alugando de um landlord, e não de uma empresa. Se você acha que o preço está salgado, converse com o landlord. Pode ser que vocês consigam chegar a um acordo. Claro, não abuse da paciência alheia, e não tente passar a perna em ninguém. As pessoas aqui são boas, mas elas têm pavio curto.
Bom, acho que foi tudo. Vamos ver como vai ser nossa mudança. Quem sabe o próximo post não será: Como fazer sua mudança em Montreal? Heheheheh! Uma coisa é certa, você tem que ter alguns amigos para ajudar...
Saturday, 15 January 2011
Pós-férias no Brasil e o começo de ano
Eita, faz tempo que ninguém posta aqui. O Márcio criou o blog de shows dele e acabou esquecendo desse blog, e eu estava muito ocupada trabalhando e preparando as coisas para as nossas férias no Brasil... De qualquer forma, depois de um tempo eu acho que a gente fica meio sem saber o que escrever por aqui. Depois que a gente se acostuma e adquire uma rotina, parece que nada mais é novidade: o inverno, as pessoas, a cidade, o sistema de transporte, as comidas... Mas eu vou tentar postar alguma coisa de vez em quando, nem que seja pra falar besteira mesmo.
Bom, em novembro fomos de volta ao Brasil de férias, pela primeira vez depois de 1 ano e meio de Canadá. Como todo mundo perguntou o que a gente sentiu nessa viagem, resolvi fazer um post. Quanto a mim, senti que foi muito estranho. Assim que chegamos, eu achei muito estranho falar Português com os desconhecidos. A gente comeu uma pizza no aeroporto de São Paulo e eu não conseguia me concentrar com as conversas de fundo em Português. Como isso acontece raramente por aqui, o seu ouvido aprende a filtrar as conversas - uma única palavra conhecida é capaz de prender sua atenção para o grupo de brasileiros na outra ponta do restaurante, ou no meio da rua, ou no cinema...
Assim que chegamos em Fortaleza, eu me senti deprimida por alguns dias. Não sei dizer o porquê. Acho que senti como se tivesse voltado no tempo e que iria ficar no Brasil pra sempre. Mas isso foi só nos primeiros dias. Depois que passei mais tempo com a família e com os amigos, eu tinha vontade de chorar sempre que pensava no dia de ir embora. A saudade parece que aumenta. A gente viu todo mundo bem, os amigos casando, tendo filhos, todo mundo feliz... Dá vontade de ficar no meio desse círculo de felicidade para sempre.
Outro fato estranho é que andamos muito mais tranquilos pelas ruas do que quando morávamos lá. Claro que sabemos que foi sorte nada ter acontecido com a gente, mas nunca pensei em andar tão tranquila pelas ruas da cidade...
Quando encontramos nossos amigos, pareceu que a gente tinha se visto pela última vez no final de semana passado. Nada mudou. Foi tão bom...
Em relação ao dinheiro, os preços aumentaram absurdamente de 1 ano e meio pra cá. Qualquer conta num restaurante dava praticamente o dobro do que a gente gastava antes.
Quanto à cidade, as ruas estavam muito bem pavimentadas, até melhor do que Montreal. Me disseram que foi porque chegamos bem depois das eleições. Em geral, a cidade não mudou muito. Só achei bizarro que os "Bom de Vera" sumiram e os "iByte" e empresas de frozen yogourt dominaram a cidade.
A volta para Montreal foi horrível. Para aqueles que reclamaram que eu não chorei com as despedidas quando viemos pra cá, dessa vez eu chorei demais. Gosto nem de lembrar. Ai, ai... Acho que da próxima vez, vou precisar de pelo menos uns 3 meses para enjoar desse povo que a gente deixou pelo Brasil, viu? Minha meta para depois que acabar o doutorado é procurar esse emprego que pague bem e que me dê esses 3 meses de férias. Tomara que eu encontre! :)
Quanto ao começo de ano, está sendo bem complicado. Não sei onde eu tava com a cabeça quando eu inventei essa história de doutorado... Mudando de assunto, descobrimos que o nosso esporte de inverno é a patinação artística. Compramos nossos patins e estamos colocando eles em uso sempre que possível. Impressionante como quando você vê as pessoas patinando, na sua mente vem a idéia de que é muito fácil. Ah, bobinho(a)! É muito difícil! Sempre que a gente passa muito tempo sem ir parece que é a primeira vez de novo. Mas é muito divertido também! Recomendo demais.
- Inaugurando os nossos patins
Wednesday, 23 June 2010
Tremor de terra
Felizmente o evento não causou vitimas ou grandes danos (pelo menos nada nesse sentido foi noticiado até a ultima vez que procurei). Tratou-se de um tremor de gravidade media com epicentro há alguns quilômetros daqui de Montreal. Lá foram registrados cerca de 5,5 graus na escala Richter, capaz de causar pequenos estragos, panico na população e danos mais sérios em prédios antigos. Nada comparável aos terríveis terremotos que destroem cidades e matam milhares de pessoas.
Um evento desses nos faz refletir sobre como somos vulneráveis e "at the end of the day" não temos controle nenhum sobre o mundo que nos cerca.
Tuesday, 8 June 2010
Preparando o currículo (ou résumé)
Os currículos no Canadá costumam ser bem mais resumidos que os do Brasil. Lá na nossa terra eles costumam apresentar todos os cursos que fizemos, da nossa área e de outras como os de idiomas; todos os empregos pelos quais passamos e muitos detalhes sobre cada item. Quem andou pelo mundo acadêmico então, está acostumado a colocar no Currículo Lattes até os números das páginas dos periódicos onde suas publicações apareceram. Aqui no Canadá trate de esquecer todos esses detalhes e ponha seu poder de síntese em prática. Canadense gosta de currículo curto e objetivo. Se está grande e dando trabalho pra ler, vai direto pra lixeira em questão de segundos. Dizem que o bom são duas ou três páginas no máximo. Na verdade este documento deve ser um resumo (résumé) da sua carreira e não um relatório detalhado dela.
Também é importante preparar o résumé de acordo com a vaga de emprego para a qual você vai enviá-lo. Isso é estranho pra nós que costumamos ter um currículo apenas e enviá-lo para todas as vagas que nos interessam. Aqui eles preferem que você faça uma versão para cada vaga (ou cada tipo de vaga), ressaltando sua experiência, formação e habilidades para cada caso. Ao meu ver, isto deve ser feito por dois motivos principais: primeiro porque as empresas encaram isto como uma atitude de respeito perante eles, já que um résumé voltado para a vaga mostra que você se deu o trabalho de personalisa-lo para aquela oportunidade específica, para aquela empresa, deixando claro tudo o que é relevante e facilitando o trabalho deles. Mostra que você faz o seu dever de casa. E é fácil de perceber isto ao ler o documento. Um résumé genérico do tipo "one-size-fits-all" tem todo o potencial para ser ignorado, por mais brilhante que seja o candidato. O outro motivo é que muitas vezes a primeira triagem que sua candidatura vai sofrer não será feita pelos recrutadores do RH, mas sim por algum software que vai procurar naquele monte de résumés recebidos os que apresentem algumas características e palavras-chave relevantes pra vaga em questão. Por isso é bom adaptar a linguagem usada no seu texto para aquela presente na oferta de emprego. Não adianta se contentar com um sinônimo, pois o software pode ignorá-lo. Por exemplo, se a vaga pede experiência em "J2EE", não diga no seu résumé apenas que você trabalhou com "Enterprise Java". Pode até deixar este termo, mas trate de incluir "J2EE" em algum lugar.
Pra que este post não vire um monstro gigante parecido com o nosso Curriculum Vitae, vou parando por aqui, tentando deixá-lo mais para um résumé. Baseado no que eu li sobre o assunto e nas dicas que recebi aqui por Montreal, deixo um possível modelo para résumé no link seguinte: resume_template Use por sua própria conta e risco. Não aceito processos por danos causados à sua carreira. :-P
Good luck!
Monday, 12 April 2010
Taxes! Ahhhhhhh!!!!!!
Essa semana estou quebrando minha cabeça com as declarações de imposto de renda. Você leu certo, "declarações", no plural mesmo. Aqui você declara para a província e para o país. E, diferente do Brasil, o governo não fornece o programa de graça para que todos possam fazer sua declaração em casa e de graça. O jeito aqui é comprar o bendito programa.
Existem vários programas bastante populares entre os canadenses. Então, o primeiro passo na hora de enfrentar "o Grande Leão Canadense" (Malditus impostus) é escolher o melhor programa para você. Existem versões mais baratas para estudantes, versões para quem tem filhos, para quem é solteiro, para empreendedores, etc. Eu pesquisei na internet sobre os três mais utilizados e acabei escolhendo um online (QuickTax), que a maioria das pessoas que eu conheço usa e que segundo os reviews, este seria o mais "User Friendly" de todos.
Aqui, como no Brasil, as empresas mandam um papelzinho para os funcionários, detalhando o valor pago durante o ano, o valor do imposto Federal retido, imposto Provincial retido, e aquelas outras informações como diárias, gastos com viagens, "beribéris" que a gente não entende, etc. A diferença é que normalmente esse papelzinho pode ser dividido em três partes. Uma das partes você deve anexar à declaração Federal, a segunda à provincial e a última (com o resumo das duas primeiras) você deve guardar muito bem guardado. Existem empresas que enviam o Federal e provincial separados, exigindo o dobro de atenção da sua parte para guardar duas vias direitinho...
Na hora de preencher o imposto é bastante simples. Os campos do Federal são representados por números para cada informação da declaração de rendimentos. É só copiar as informações que estão no papel direitinho, campo por campo. O Provincial é a mesma coisa, mas os campos são representados por letras. Isso facilita muito quando o programa está em inglês e o papel com a descriçao dos rendimentos está em Francês...
Aqui, como no Brasil, o casal pode declarar o imposto juntos ou separados. Mas aqui o conjugue nunca é considerado um dependente e a diferença é muito pequena para a restituição. Eu resolvi declarar tudo junto porque seria um trabalho só para preencher toda a papelada e enviar os comprovantes pelo correio.
Despesas médicas, dentista, óculos, remédios, etc. Tudo pode ser usado para descontar do imposto pago durante o ano. Outra coisa que você pode declarar são os gastos com o transporte público, portanto guarde os recibos (como eu só descobri isso agora, comecei a guardar os recibos do Opus Card esse mês), e os gastos com aluguel (não ficou realmente claro para mim se eles descontam alguma coisa do aluguel mas eu recebi o papel da empresa imobiliária e declarei o aluguel direitinho como tinha no programa).
Ao fim de todas as declarações, o programa vai te oferecer várias formas de pagar menos imposto. Se você tem filhos, deve marcar para um determinado auxílio. Se você mora sozinho tem a opção para um outro auxílio. Se você pagou imposto em um país estrangeiro, o Canadá pode te reembolsar parte desse imposto (iei!!).
A melhor forma de pagar menos imposto (receber uma restituição maior) é fazer um fundo de aposentadoria. Todo o dinheiro aplicado em um fundo de aposentadoria é isento de imposto, e este só será cobrado quando o dinheiro for devolvido ao declarante. Pelo que eu entendi não é cobrado imposto sobre os juros, então se depois de 30 anos você aplicou 500 mil dólares, que renderam juros de 100 mil, você só vai pagar o imposto relativo aos 500 mil que você aplicou (me desculpem os economistas e contadores se o exemplo foi irreal, eu não quis pensar muito então não sei se esses juros condizem com a realidade e nem se essa informação está mesmo certa :P). Como nós chegamos no meio do ano passado, não deu tempo de fazer nada disso... Pelo menos o preenchimento do imposto ficou mais simples pra gente :D.
Depois de tudo preenchido, é só imprimir as 2.000 páginas que o programa gera, dividir tudo em dois pacotes, Federal e provincial, anexar os comprovantes de rendimentos dos respectivos destinatários, e enviar pelo correio. Em geral é tudo bem simples.
Agora vou quebrar a cabeça com o imposto do Brasil...
Sunday, 14 February 2010
Montreal e as mulheres - de tratamentos de beleza a hidratantes para a pele
Me desculpem os rapazes, mas esse post vai ser mais direcionado para as moçoilas e as pequenas coisas de que tanto gostamos de fazer para ficarmos mais bonitas e cheirosas.
Chega a ser irônico eu estar postando algo do tipo porque eu nunca fui vaidosa quando morava no Brasil, e só fazia unhas e depilação uma vez por mês ou menos. Mas de vez em quando sempre dava uma vontade de ir no salão fazer aquela recauchutagem para ficar me sentindo um pouco melhor depois de um dia estressante/deprimente no "trabalho", aí no Brasil.
Aqui no Canadá é mais difícil ceder a essa vontade repentina de passar a tarde no salão de beleza. Não apenas os preços são mais salgados, mas a qualidade do serviço pode variar bastante. Para fazer unhas aqui no Plateu Mont Royal você não vai desembolçar menos do que CAD$40,00 (quarenta dólares canadenses)! Se converter para o Real dói ainda mais no coração. Diante desse preço absurdo só nos resta uma de três opções: aprender a fazer a própria unha antes de vir, arrumar um emprego muito bom ou se conformar com a aparência natural das suas unhas. Eu tenho oscilado entre a primeira e terceira opções. Talvez eu tenha coragem de pagar alguém para fazer as minhas unhas no aniversário de 10 anos de casamento, daqui há 8 anos. Mesmo assim o ato de se fazer unha aqui é completamente diferente do método brasileiro, e talvez eu fique ainda mais irritada em pagar 40 dolares só para alguém cortar e pintar a minha unha.
Outro problema comum às brasileiras no Canadá é a depilação à cera. Os preços por aqui não são tão mais salgados que os preços no Brasil (considerando o valor em dinheiros) e a qualidade do serviço talvez seja a mesma. Porém o maior problema é a falta de vontade de se depilar. Com os 6 meses de inverno, o uso de saia e vestidos está praticamente restrito aos 2 meses de temperaturas amenas que temos durante o ano (considerando as mulheres com sensibilidade normal nas pernas, já que algumas canadenses conseguem usar mini-saia a -20 oC sem problemas). Devido a isso, eu não sinto vontade nenhuma de me depilar a cera - o que acontece com muitas brasileiras que chegam aqui acostumadas a se depilar exclusivamente com cera. O barbeador tem servido bem a seu propósito, mas tanto a cera fria, como a cera quente são vendidas em qualquer farmácia para você mesma fazer o trabalho sujo.
A sobrancelha é o meu maior problema. Eu morro de medo de fazer a minha sobrancelha sozinha e acabar deformando o meu rosto para sempre. Será que é exagero? Desde que cheguei tenho tirado os pêlos mais horrendos sozinha, mas ainda não tive coragem de fazer direitinho. Outro dia vi que a Cláudia do quebecoisa foi num salão e só pagou $5,00 para fazer a sobrancelha. Eu realmente não sabia qual seria o preço. Acho que simplesmente inferi que, assim como as unhas, seria um valor absurdamente caro. Quanto à isso estamos salvas!
Um problema que surge com a chegada do frio é a obrigatoriedade de se usar hidratantes o tempo inteiro. Eu sempre detestei hidratante, mas aqui não tem jeito. Se você não quiser acordar um dia, se olhar no espelho e ver a sua avó, o hidratante é sim obrigatório. Pelo menos 3 tipos fazem parte do meu dia a dia (agora sem hífen):
- Um para as mãos, pequeno e que eu possa levar na bolsa sempre. Eu gostei bastante do Aveno. Achei que mesmo lavando as mãos o tempo todo, ele fixa bem, não fica melecado e minhas mãos ficaram menos enrugadas quando eu saio de casa;
- Um para o corpo. Esse foi o que eu demorei mais para me render. Só quando não consegui mais dormir com as minhas pernas coçando (pele seca coça pra caramba) por causa do ar seco foi que eu comecei a usar. Acho que para o corpo qualquer um deve servir. A gente comprou um pacotão no Costco de um hidratante chamado Lubriderm, que teoricamente mantém a pele hidratada por 24h. Achei muito bom e já tenho conseguido dormir melhor.
- Um para o rosto. Ainda não encontrei o hidratante perfeito para mim. O primeiro que comprei foi um da Nívea, que era de uso diário e para peles normais, mas meu rosto ficava oleoso assim que eu usava o hidratante, e depois de um tempo a pele ficava seca de novo e meio vermelha nas bochechas. Depois comprei um chamado Ponds, que era para pele seca e também de uso diário, mas com esse a minha pele fica oleosa sempre. Parei de usar os dois e tenho usado somente o meu protetor solar fator 50 para o rosto da Biodherma. Este tem funcionado melhor que os outros e só me deixa um pouco esbranquiçada, o que eu conserto com um pouco de pó.
O corte de cabelo em Montreal pode variar bastante de preço, assim como no Brasil. Eu cortei meu cabelo com o Will, um pernambucano arretado que mora por aqui e que deixou meu cabelo lindíssimo por um precinho bastante acessível para os recém-imigrantes $18,00. O Márcio foi num barbeiro na st. Catherine e cortou o cabelo dele pelo mesmo preço. Mas imaginem que cabelo de mulher geralmente é mais caro de se cortar.
Quanto a tratamentos de beleza, eu sei que aqui a depilação a lazer é bastante cara. Outro dia vi no jornal um pacote para axila buço e sobrancelha, na promoção por "apenas" $1.500,00. Eu nunca tive vontade de fazer, mas se um dia eu fizer esse tipo de depilação, será no Brasil, com certeza. Outros tratamentos como drenagem linfática e massagem redutora podem custar até 3x mais (ainda falando em dinheiros).
Esse post provavelmente não ajudou muita gente, mas é sempre bom vir preparado para mudar o seu estilo de vida. Se você é patricinha (ou sonha em ser patricinha) aconselho a trazer sua esteticista do Brasil na sua mala, porque por aqui esse tipo de coisa é realmente um luxo. Mas mesmo não sendo possível ceder ao impulso de passar um dia de princesa no salão, você ainda pode passar um dia de princesa na sua casa, fazendo a sua própria unha, se depilando, tomando um banho de cremes e assistindo Dirty Dancing na TV. O resultado é tão gratificante quanto.
Sunday, 31 January 2010
Começando a busca de emprego
Explore ao máximo os sites de oferta de empregos, classificados e sites de empresas que podem ter vagas pra você. Também há muitos sites e podcasts especializados em busca de emprego e assuntos relacionados cheios de dicas e informações valiosas. Se for preciso telefonar pra alguém nas terras geladas uma boa dica é utilizar aplicativos como o Skype para fazer chamadas telefônicas internacionais por preços bem mais baixos do que os da telefonia tradicional.
Visitas periódicas a sites como Monster, Jobboom e Craig's List vão te dar uma idéia do tipo de vagas que são ofertadas na sua futura cidade. Muitos deles oferecem serviços de notificação, nos quais você se cadastra no site e recebe por e-mail as ofertas de emprego que correspondem ao seu perfil profissional. Tente descobrir quais empresas se destacam na sua área e quais são consideradas bons empregadores. Procure saber qual a faixa salarial que o mercado paga para o seu perfil. Uma ótima ferramenta pra isto é o Monster Salary Centre. Enfim, descubra o que o mercado local oferece e exige. Procure saber como as coisas funcionam no seu novo lar. Mas também saiba o que você quer, que tipos de emprego você deseja, qual o ideal e quais são aceitáveis, pois é importante ter foco durante a busca.
Uma outra coisa que eu acho fundamental é ter uma estratégia para a sua busca de emprego. Isso vai te guiar durante a jornada e manter você nos trilhos. Trace um plano do que você vai fazer, ponha no papel (ou na tela) os passos que você vai seguir pra procurar emprego e o que vai fazer caso eles dêem errado. Além do plano principal, tenha um plano B, um plano C, etc... Por exemplo, no meu caso a estratégia em linhas gerais era procurar um emprego em Montreal na área de desenvolvimento de software. Se depois de cerca de 4 ou 6 meses eu não encontrasse, começaria a procurar nas duas grandes cidades mais próximas: Ottawa e Quebec. Em paralelo eu iria procurar também vagas fora da minha especialidade, mas nas quais eu também pudesse trabalhar. Se depois de mais alguns meses não aparecesse nada, eu iria tentar também os empregos totalmente fora da minha área mas que exigem menos qualificação e experiência, apenas para pagar as contas enquanto continuaria procurando o emprego ideal.
Quem ainda ainda vai demorar um pouco a vir pro Canadá por estar aguardando o processo de imigração ou outros motivos, pode achar que é cedo pra tomar essas providências. Mas me parece ser o momento ideal pra dar início a isso. Quanto mais cedo você começar a se familiarizar com o seu novo contexto e se planejar, menos tempo e dinheiro você vai ter que gastar fazendo isso quando estiver aqui e suas chances de encontrar logo um bom emprego devem aumentar. Você não vai ser pego de surpresa nem ficar perdido sem saber o que fazer se conhecer bem o que te aguarda.
Saturday, 30 January 2010
Busca de emprego no Canadá
Encontrar um bom emprego no Canadá pode ser bem difícil. Pode demorar bastante, dar muito trabalho, te levar aos seus limites, detonar sua auto-estima, acabar com suas economias e sua paciência. Mas também pode ser o contrário de tudo isto. É claro que todos queremos ter a sorte de cair nesse segundo caso, mas na dúvida o melhor é se preparar para o pior. Assim você não vai estar em apuros se precisar enfrentar muitas dificuldades e terá uma agradável surpresa se tudo correr fácil e der certo mais cedo do que o esperado.
No nosso caso acho que ficamos entre esses dois extremos. Não demorou tanto quanto vimos acontecer com outros colegas, mas também não chegamos aqui com o emprego já garantido, como gostaríamos. Nos mudamos para Montreal em meados de junho de 2009, consegui um primeiro emprego razoável e ligeiramente fora da minha área no meio de outubro mas duas semanas depois apareceu o emprego do jeito que eu queria. Agora, completados 3 meses no segundo emprego, estou indo pra um terceiro. Melhor do que o anterior em alguns aspectos, pior em outros e uma incógnita no resto. Vamos aguardar pra ver se valeu mesmo a pena.
Faz tanto tempo que não escrevo neste blog que prometo escrever daqui pra frente alguns posts sobre a minha experiência no mercado de trabalho canadense, tentando passar um pouco do que eu tenho aprendido por aqui com relação a busca de emprego e tudo o mais. Espero que isso ajude outras pessoas que estão passando ou vão passar por esse mesmo processo, assim como conhecer a experiência de outras pessoas também me ajudou. Vale lembrar que cada caso é um caso e eu não sei exatamente como é em outras cidades do Canadá, eu só posso falar de Montreal e do meu caso específico, portanto dêem o desconto se perceberem muitas diferenças com relação a outros contextos.
Thursday, 17 December 2009
Sobre o friiiio...
Hoje pegamos pela primeira vez -19 ºC. Confesso que gelei só de olhar a temperatura na previsão. Me preparei toda. Coloquei termal underware, midlayer (um casaco mais fino, por baixo do casaco mais grosso), cachecol, gorro, luva, botas, e o casaco mais quente. Sai de casa e fui para a parada de ônibus. Sinceramente, eu não senti muita diferença para os -10 ºC que estava fazendo na última semana. Foi tranquilo. Nada de outro mundo. O grande problema é quando vem uma rajada de vento. Aí não tem nariz que aguente! Tirando isso, não passei mais frio do que na “Noite dos Insetos Assassinos”, em Mulungu. Ali sim foi frio, viu?
Acho que passei até um pouquinho de calor... Quando desci do primeiro onibus para pegar o segundo, eu vi ele passando do outro lado da rua. Como não deu para alcançar, eu não passei 15 minutos a -20 ºC esperando pelo próximo ônibus. Entrei na Starbucks em frente a parada de onibus, comprei um café, e fiquei lendo o meu livro por uns 10 minutos até que eu avistei o ônibus lá longe. Só então eu fui para a parada de ônibus, junto com algumas outras pessoas que tiveram a mesma ideia. Olha que maravilha! Vamos ver como vai ser quando chegar a -30 ºC.
E para ilustrar esse post, uma foto da Université de Montreal. Eu trabalho nesse prédio aí só até amanhã. Vou sentir saudades! Mas a escolha de não fazer o doutorado na bioinformática foi minha.
P.S. Sobre o nariz no frio de -20 ºC, os palhaços é que são felizes porque eles podem andar com a bolinha protegendo a ponta do nariz... Eu tento enrolar o cachecol e proteger o nariz, mas quem me conhece sabe que eu tenho uma "gastura" terrível de qualquer contato com o meu nariz. Mas nesse frio, o jeito é tentar se acostumar. Se eu me acostumei com os óculos, pode ser que eu consiga me acostumar com o cachecol...
Monday, 7 December 2009
Carteira de motorista - parte 2
Esse é um post bem atrasado sobre a segunda parte para se tirar a carteira de motorista: O Road test.
Um dos problemas do Road Test para quem vem do Brasil é que é impossível alugar um carro com marcha manual. E a grande maioria dos brasileiros passa a maior parte da vida dirigindo carros com marcha manual.
Logo depois que se passa pela prova escrita, a gente vai pegar uma senha para marcar o teste de direção. No guichet, o rapaz oferece a carteira de aprendiz. Com essa carteira você já pode dirigir pelas ruas de Montreal acompanhado de outra pessoa que tenha carteira de Québec, e pode fazer aula da auto-escola, se quiser. Essa carteira de aprendiz, se não me engano, custa CAD$45,00. Eu preferi não comprar. Achei muito caro e não tinha nenhum amigo com carteira Quebecois e carro para treinar antes do teste de qualquer forma.
O que eu fiz algumas horas antes do teste foi pagar uma aula com um instrutor daqui que aceita alunos sem a tal da carteira de aprendiz (tudo por debaixo dos panos mesmo). Ele também alugou o carro para eu fazer o teste.
O meu teste era numa terça-feira às 9h10min. Então encontrei esse instrutor às 7h na estação de metro Henri-Bourassa. Ele foi me buscar no carro em que outro aluno estava fazendo aula antes de mim, no mesmo esquema para fazer o teste logo depois. Já no banco de trás, senti como seria estressante essa aula. Ele gritava com o menino o tempo todo, dizia que ele ia matar as pessoas, etc. Já fui ficando nervosa logo no início. Quando deixamos o rapaz no SAAQ para ele fazer o teste dele, eu peguei o carro e comecei a minha aula.
Aqui vou fugir um pouco do assunto para falar que devia ser obrigatório que todos aprendessem a dirigir com marcha manual antes da automática. Os adolescentes aqui já começam dirigindo os carros de marcha automática e nunca aprendem a dirigir carros com marcha manual. A marcha automática é ridicula. Você só precisa pisar no acelerador e no freio. Nada mais. Não tem o feeling de você aprender o quando trocar as marchas. Acho que eles perdem muito em não aprender isso.
Voltando à aula com o terrorista, foi a pior aula de todos os tempos. Ele fica o tempo todo gritando. Você não pode perguntar nada e qualquer erro que eu cometia ele dizia que eu ia matar as criancinhas no meio da rua. Tive que perguntar três vezes sobre a história da dupla parada até que ele conseguisse me explicar direito quando fazer... Quando acabou a aula, ele me deixou no SAAQ já dizendo que eu não ia passar e que podia ligar para ele depois para marcar outra aula. Valeu!
Eu fui então fazer o teste. Passei uns 20 minutos tentando me acalmar depois das loucuras daquele maluco. Tentando decidir se adiava logo o teste ou se fazia para ver no que dava. Fiquei nesse dilema até que o avaliador me chamou para fazer o teste. Ai, ai, eu estava tão nervosa... Me tremia toda. Ele já estava com a chave do carro. Ele abriu as portas, sentou no banco do passageiro, já colocou a chave na ignição e ligou o carro. Eu entrei e rezei para dar tudo certo. Ele mandou eu sair do estacionamento. Eu, seguindo as instruções do louco, fiz como me foi dito. Coloquei a mão no banco dele, me virei toda para trás, e comecei a da a ré. Fui bem devagar por que me sinto muito mais segura usando os espelhos para fazer isso, mas regra é regra. Sai do SAAQ e comecei o teste. A primeira instrução dele foi dobrar a direita num sinal na Av. Henri-Bourassa. Como estava nervosa, assim que o sinal abriu fui logo dobrando a direita sem pensar direito, quando, felizmente, lembrei dos pedestres. Ele ainda falou: Os pedestres tem preferencia. Eu respondi que sabia, que so estava nervosa. Tirando isso, o resto do teste foi ótimo. A tranquilidade dele me deixou mais tranquila. Fiz o teste direitinho, parando nos PAREs, olhando para os pontos cegos antes de dobrar, fazendo a dupla parada quando o PARE é só pra mim, e continuando na faixa da esquerda quando dobrando para a esquerda (a parte mais difícil para mim). No final do teste, a gente volta para o SAAQ e faz a baliza.Chegando no SAAQ, eu fiquei parada com o carro, esperando os que já estavam fazendo terminarem. Nesse momento eu e o avaliador demos uma boa rizada do que estava acontecendo na area da baliza. Uma menina subiu a calcada, um menino bateu no carro de tras e a outra estava presa sem conseguir estacionar e nem sair da vaga. Passamos uns 5 minutos esperando alguem conseguir sair dessa situacao ate que eu fui fazer a baliza. De novo, posicionei o carro e coloquei o braco no banco do passageiro para virar o corpo todo para tras para dar a ré. Isso é muito chato, viu? A gente tem bem menos controle do carro fazendo isso. Tudo certo. Fiz a baliza e voltei para o ponto de partida, tendo que estacionar o carro de frente em qualquer vaga. Estacionei e ele me falou: Parabéns, você passou com 100%.
Que Felicidade viu? Na mesma hora liguei para o terrorista para falar que passei. Não aconselho a aula dele antes da prova para pessoas facilmente impressionáveis. Foi bom porque muita coisa sobre o teste eu não sabia, mas se tivesse que fazer de novo, não faria com ele nem a pau. Paguei a taxa da carteira, que para mim foram $76,00 dolares porque fiz aniversário em Outubro. Todo ano você paga pela renovação, pelo que entendi.
O Márcio fez o Road test dele semana passada e também passou. Mas, segundo ele, ele teve mais problemas com o avaliador do que com o terrorista...
Monday, 26 October 2009
Top 5
E para as donas de casa de plantão:
Top-5 Produtos Canadenses (Na minha opinião)
Toalha de papel absorvente – Impressionante! Parece tecido. Você pode molhar, limpar a superfície, molhar de novo, espremer, e a folhinha fica quase intacta (dependendo da marca). Imagino que não deve ser muito ecológica, mas o fato de você precisar de apenas uma folha para limpar uma mesa suja, por exemplo, deve compensar.
Detergente de lavar louças – O primeiro que compramos durou cerca de 4 meses! Tem que usar bem menos do que estamos acostumados a usar no Brasil, senão o sabão não sai dos pratos. O negócio é super concentrado.
Desinfetante – Mesmo princípio do detergente. Super concentrado! Uma garrafa não dura 4 meses, porque o cachorrinho não ajuda e, às vezes, faz chichi no meio do banheiro. Aqui em casa chega a durar quase 2 meses.
Meias anti-chulé – A melhor invenção do século. Imaginem passar o dia com os pés dentro de uma bota toda acolchoada por dentro, bem quentinha. Bom né? Nem tanto para o nariz. Mas com essa maravilhosa invenção, você pode tirar a bota em casa despreocupado. Claro que elas não fazem milagre e, se seu pé sua muito, provavelmente, depois de alguns dias usando a mesma meia vai dar um pouco de chulé, mas nada comparado com uma meia normal.
Embalagens em geral – Aqui as embalagens são feitas para realmente conservar os produtos, mesmo depois de abertas. Quando é algum produto alimentício geralmente tem aquela tecnologia que parece com um zíper. O produto fica bem conservado por um bom tempo e você não se preocupa em fechar tudo com pregadores (hehehehe!). A caixa de leite tem um mecanismo bem inteligente (alguns não concordam) para abrir e fechar. Enfim, isso não é regra, é claro.
Depois vou postar o Bottom-5.
Wednesday, 23 September 2009
Picnic
Ultimamente, os dias aqui em Montreal têm sido bem bonitos. Inspirados pelo céu limpinho e as temperaturas agradáveis que têm feito nesses dias, nós resolvemos fazer um picnic domingo (Na verdade há dois domingos atrás, mas demorei para postar). O lugar? Parc Lafontaine.
Quando a gente veio para Montreal, eu tinha em mente que iria me apaixonar pelo parc Mont Royal. Mas me enganei. O parc Lafontaine é o point dos picnics de domingo, grupos de pessoas andando de bicicleta, cachorrinhos de todos os tipos e crianças alimentando os patos, que brincam no enorme lago artificial, com direito a chafariz e queda d'água. Estou apaixonada pelo parc Lafontaine.
Visando inaugurar nossa mochila de picnic, uma das nossas aquisições mais recentes, graças ao casal da Bahia , Ludmila e Luís (http://receitasdalud.blogspot.com), resolvi que iria fazer algo bem simples, mas que desse para usar alguns dos acessórios da mochila.
O Márcio foi o responsável pelas bebidas. Ele fez o tradicional café com leite com ajuda da nossa cafeteira italiana (também comprada do adorável casal já citado acima).
Quanto às comidas, foram ambas receitas do blog da Lua (http://quichedemacaxeira.blogspot.com): O tradicional pão de requeijão (feito com queijo cottage substituindo o requeijão) e as adoradas blondies (com gotas de chocolate meio amargo e chocolate branco). Para colocar no pão, trouxemos geléia, manteiga e umas fatias de queijo cheddar processado. Não podia ser mais simples: café com pão e bolo.
Então, domingo de tarde nós fizemos a peregrinação para o parque. Eu (com o Athos na bolsinha), Márcio, Aleyne e Jim organizamos tudo, montamos nas nossas bixis e partimos em direção ao parc Lafontaine. Foi uma ótima tarde. Nós tiramos um monte de fotos, e o picnic foi um sucesso.
Além de tudo, descorbi uma utilidade pra rede que eu trouxe lá de Fortaleza. Vi várias pessoas deitadas nas redes, armadas entre duas árvores. Como foi que eu não pensei nisso antes? Da próxima vez, vou levar a minha redinha também.